
O bolso dos brasileiros vai sentir mais um aperto em 2026. Consultorias e bancos projetam que a conta de energia elétrica deve subir entre 5,1% e 7,95% em 2026, acima da projeção do IPCA, pressionada pelo baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, maior uso das termelétricas e pela elevação dos subsídios embutidos na tarifa. A previsão é de que os subsídios ao setor elétrico alcancem R$ 47,8 bilhões em 2026, valor 17,7% superior ao de 2025, e que será integralmente pago pelos consumidores.
Para os condomínios, o impacto pode ser duplo: além da alta nas tarifas, cresce também a inadimplência das cotas condominiais. Dados recentes apontam que o índice de atraso superior a 30 dias já atinge cerca de 12% dos condôminos, o maior nível desde 2022. Segundo o Censo Condominial realizado por entidades do setor imobiliário, em algumas capitais, síndicos relatam aumento de até 25% na inadimplência nos últimos três anos, com a cota média de condomínio girando em torno de R$ 500.
“Ninguém gosta de ser cobrado, mas quando alguns deixam de pagar, o peso recai sobre quem está em dia. Isso gera estresse e desequilíbrio nas contas do condomínio”, diz Alberto Machado Soares, presidente do Sincond.
Diante desse cenário, síndicos e administradores de condomínios precisam agir para evitar que os gastos com energia se transformem em uma enxurrada de despesas condominiais. A saída está em adotar medidas de eficiência energética e conscientização coletiva.
Estratégias para conter despesas
Para enfrentar o aumento das tarifas e a inadimplência, especialistas recomendam medidas de eficiência energética e gestão rigorosa:
- Troca de lâmpadas por LED: economia de até 80% no consumo.
- Sensores de presença em áreas comuns, evitando desperdício.
- Automação de sistemas de bombas e iluminação.
- Manutenção preventiva de motores e equipamentos.
- Investimento em energia solar fotovoltaica, com retorno rápido no médio prazo.
- Campanhas de conscientização para uso racional de elevadores e equipamentos.
O desafio da gestão
Com tarifas mais altas e inadimplência em crescimento, síndicos e administradores precisam equilibrar duas frentes: reduzir o consumo de energia e garantir que os moradores mantenham suas contribuições em dia. A combinação de medidas técnicas e diálogo transparente com os condôminos será decisiva para evitar que os custos condominiais se tornem insustentáveis.
Com tarifas mais altas e inadimplência em crescimento, os condomínios se tornam um reflexo da pressão financeira que atinge as famílias brasileiras. A combinação de custos crescentes e dificuldades de pagamento exige dos síndicos uma gestão cada vez mais profissional e transparente.
A adoção de medidas de economia, aliada a uma política clara de cobrança e negociação de dívidas, pode ajudar a reduzir os impactos da alta da energia e da inadimplência. Síndicos que se anteciparem e implementarem soluções estarão mais preparados para enfrentar o desafio de 2026 e manter o equilíbrio financeiro dos condomínios.



