Porteiro eletrônico ou vigia noturno em condomínios?

portariaDiante da oferta de porteiros eletrônicos, alguns dotados de câmeras e senhas para abertura de portões, síndicos se veem tentados a substituir o trabalho de um funcionário pelas engenhocas tecnológicas a fim de amenizar os efeitos da crise econômica que sofremos no país. O problema é que, apesar dos equipamentos não custarem mais do que o salário de um vigia noturno, o Condomínio pode sofrer com diversas desvantagens ao dispensar o trabalho humano.

A substituição do funcionário poderá ser desfavorável para a segurança do edifício. Algum morador poderá acabar abrindo o portão para pessoas estranhas ou lhes dar a senha, em vez de, por exemplo, buscar na portaria ele próprio sua encomenda da farmácia, da pizzaria, etc.

Não é cortando um funcionário do turno da noite, quando se pensa que ele pode estar ali a madrugada inteira “sem fazer nada”, que o Condomínio obterá mais segurança com o porteiro eletrônico.

Uma sugestão nossa é a de que, dependendo do tamanho do condomínio, o síndico opte por contratar dois porteiros noturnos em escala de 12 x 36 horas (das 18h às 6h ou das 19h às 7h), evitando gastos com horas extras. De dia, um zelador e mais um faxineiro podem se revezar na portaria, quando o primeiro for tirar hora de almoço.

Em edifícios onde residam muitas pessoas idosas, ter alguém na portaria durante a madrugada pode ser de grande ajuda para o caso de alguém passar mal e precisar de socorro. Também se um cano estourar ou se a manobra de água estiver marcada para antes do amanhecer, é preciso ter um funcionário pronto para atender a essas hipóteses.

A economia no orçamento de condomínios não precisa necessariamente passar por cortes radicais na folha de pagamentos de seu pessoal. Poderá ser obtida com a revisão de contratos de prestadores de serviços; com a instalação de sensores de presença para acender e desligar lâmpadas (de preferência as do tipo LED) de garagens e corredores; e até com o uso racionalizado de elevadores, que em horas fora do pico de entrada e saída de moradores pode ficar com apenas um ligado.

A folha de pagamento é um item que pesa bastante no orçamento de cada condomínio, mas antes de tomar uma decisão como essa, é importante que o síndico leve o assunto à decisão de dois terços dos condôminos em uma assembleia geral.

Antes de tomar uma decisão que impacta na segurança de todos, o síndico deve ouvir os condôminos. Várias cabeças pensam melhor do que uma.

Alberto Machado Soares / Presidente do SinCond

Facebooktwittergoogle_plus
Conteúdo: Nota Bene Editora | Designed by HospedaNit.